MPF acusa prefeito de Macapá de liderar organização criminosa ligada a fraudes eleitorais
Em 145 páginas, o órgão apresenta à Justiça Eleitoral uma série de provas que revelariam crimes do prefeito e de outros 13 denunciados
A revista Veja, uma das mais influentes do jornalismo nacional, colocou novamente Macapá no centro do noticiário brasileiro ao revelar que o Ministério Público Federal acusa o prefeito Antônio Furlan (MDB) de liderar uma organização criminosa ligada a fraudes eleitorais.
A reportagem da Veja, publicada nesta semana, tem como base uma denúncia de 145 páginas assinada pela procuradora da República Sarah Cavalcante e protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP).
Segundo o MPF, a organização criminosa teria atuado entre setembro e dezembro de 2020, incluindo a véspera e o dia da votação, com o objetivo de fraudar o processo eleitoral em benefício direto do então candidato Antônio Furlan, hoje reeleito prefeito de Macapá.
Estrutura do esquema descrita pelo MPF
De acordo com a denúncia citada pela Veja, o grupo funcionava com liderança centralizada, comando financeiro, operadores de rua e logística própria. O esquema envolvia dinheiro em espécie, promessas diretas a eleitores e transporte irregular de votantes no dia do pleito.
O Ministério Público sustenta que nada relevante ocorria sem o consentimento do prefeito, incluindo a promessa e a entrega de dinheiro a eleitores.
Papéis atribuídos aos integrantes do grupo
A denúncia aponta que Antônio Furlan exercia o controle final do esquema, sendo descrito como mentor intelectual e principal beneficiário.
O irmão do prefeito, João Paulo de Oliveira Furlan, promotor de Justiça, é citado como co-líder, responsável por financiar operações, gerenciar recursos e coordenar ações.
Outros integrantes eram encarregados de indicar eleitores, liberar valores - inclusive para combustível - e monitorar o cumprimento das promessas feitas durante a campanha.
Conversas, valores e compra direta de votos
A investigação ganhou força após abordagem da Polícia Federal, quando um dos operadores do esquema foi encontrado com dinheiro em espécie e material de campanha. A perícia em celulares revelou diálogos explícitos sobre compra de votos.
Entre as mensagens citadas estão frases como “quantos votos eu tenho aí?”, “joga uma proposta” e a confirmação do número do candidato: “23, mano, 23”.
O MPF relata, ainda, a compra direta de seis votos, com promessa, pagamento e acompanhamento em tempo real da votação.
Operações da Polícia Federal e alvos da investigação
As investigações resultaram em mandados de busca e apreensão em julho de 2022, atingindo o prefeito, familiares e aliados. O gabinete da Prefeitura de Macapá foi um dos alvos das ações da Polícia Federal, conforme registrado na denúncia.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça Eleitoral. Até a publicação desta matéria, a Prefeitura de Macapá e o prefeito Antônio Furlan não haviam se manifestado oficialmente sobre as acusações.
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