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Crise atual é 'diferente de tudo o que o mundo já viu' e terá consequências devastadoras para os mais pobres, diz economista-chefe do FMI

A crise econômica resultante da pandemia do coronavírus é "diferente de tudo o que o mundo já viu", afirmou nesta terça-feira (16) a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gina Gopinath. Essa crise, apontou ela, terá "consequências devastadoras" para os mais pobres.

"É realmente uma crise global. Crises passadas, ainda que profundas e severas, permaneceram confinadas a segmentos menores do mundo, da América Latina nos anos 1980 à Ásia nos anos 1990. Mesmo a crise financeia global de dez anos atrás teve efeitos mais modestos sobre a produção global", disse.

A estimativa é de que, pela primeira vez desde a Grande Depressão, tanto economias avançadas quanto em desenvolvimento registrem recessão este ano. A próxima edição das estimativas do FMI para a economia mundial, esperada para junho, deverá mostrar quedas ainda piores do que as estimadas anteriormente – em março, o fundo estimava queda de 3% no PIB global e de 5,5% no brasileiro.

Segundo Gopinath, há três diferenças marcantes entre crises passadas e a atual.

A primeira são os efeitos sentidos pelo setor de serviços. Em crises típicas, a indústria costuma registrar as piores quedas, refletindo a queda nos investimentos, enquanto os serviços são pouco afetados. Este ano, no entanto, os serviços estão entre os mais prejudicados.

A segunda diferença vem do comportamento dos preços: apesar do forte choque de demanda, exceto pela alta registrada nos preços dos alimentos, tem sido observada uma queda na inflação e nas expectativas de inflação tanto em economias avançadas quanto em emergentes.

A terceira diferença vem dos mercados financeiros, que apresentam uma 'notável divergência' em relação à economia real, com indicadores financeiros apontando para perspectivas mais fortes de recuperação do que a atividade real sugere.

"Apesar da correção recente, o S&P 500 recuperou a maior parte de suas perdas desde o início da crise; o índice de mercados emergentes da FTSE e o índice da África melhorarm substancialmente; a Bovespa subiu significantemente apesar do aumento recente das taxas de infecção no Brasil; os fluxos de portifólio para economias emergentes e em desenvolvimento se estabilizaram", aponta a economista do FMI.

Gopinath afirma ainda que o desafio chave para escapar da crise será garantir a produção e distribuição adequada de vacinas e tratamentos uma vez que eles se tornem disponíveis – e isso vai requerer um esforço global.

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