Furlan foge ao debate da Record e questionamentos sobre facções ficam sem resposta
Clécio levou ao debate questionamentos sobre supostos faccionados na gestão municipal e cobrou explicações que ficaram sem resposta diante do púlpito vazio de Furlan.
A ausência de Dr. Furlan (PSD) e os questionamentos envolvendo facções criminosas dominaram os momentos de maior confronto do debate entre candidatos ao Governo do Amapá realizado pela Record nesta sexta-feira (25). Anunciado anteriormente entre os participantes, Furlan não compareceu e deixou sem resposta, no palco, perguntas feitas diretamente pelo governador e candidato à reeleição, Clécio Luís (União Brasil).
Participaram do debate Clécio e Delegado Marcos (DC). Ao longo do programa, o governador voltou várias vezes à ausência do principal adversário e cobrou explicações sobre investigações envolvendo pessoas supostamente ligadas a organizações criminosas que teriam ocupado cargos na Prefeitura de Macapá.
Clécio questionou especificamente o que classificou como a descoberta, pela Polícia Federal, de 14 integrantes de facções nomeados na administração municipal. O governador relacionou o assunto às nomeações para cargos de confiança e questionou a ausência de Furlan justamente no momento em que, segundo ele, essas questões poderiam ser respondidas diretamente no debate.
Segurança e facções entram no centro do confronto
Outro ponto explorado por Clécio foi a representação apresentada pela coligação de Furlan ao Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), pedindo restrições à atuação de integrantes da cúpula da Segurança Pública em operações relacionadas às eleições.
O pedido alcança, entre outros nomes, o secretário de Segurança Pública, Cézar Vieira, e o comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Wilkson Santana.
No debate, Clécio questionou a iniciativa e contrapôs o episódio à postura adotada por seu governo no combate às organizações criminosas.
“Desde o meu primeiro dia de governo eu tenho um lado. O meu lado é claro: é do lado da polícia, da segurança pública, da Justiça e de quem combate o crime organizado”, afirmou.
Clécio também apresentou dados de redução de homicídios, latrocínios e roubos e relacionou os resultados aos investimentos realizados em concursos, viaturas, armamentos, tecnologia e inteligência.
Furlan era esperado no debate
A ausência ganhou peso porque Furlan havia sido anunciado no dia anterior entre os participantes confirmados. Pelas regras acertadas com as campanhas, o púlpito do candidato ausente permaneceria vazio durante o programa.
“Isso é muito feio, isso é antipolítica, não querer debater, desrespeitar o povo, desrespeitar a emissora”, criticou Clécio.
O confronto ocorreu um dia depois da divulgação da pesquisa Quaest que registrou Furlan com 53% e Clécio com 40% das intenções de voto. O levantamento ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro e tem margem de erro de três pontos percentuais.
“Eu respondo pelos meus atos”
Nas considerações finais, Clécio voltou à ausência do adversário e resumiu o confronto em uma comparação entre as duas trajetórias administrativas.
“Eu respondo pelos meus atos, eu respondo pelas minhas gestões”, afirmou.
Clécio citou hospitais construídos e em construção, investimentos em segurança e geração de empregos. Na sequência, contrapôs sua gestão à situação de Furlan, que foi afastado da Prefeitura de Macapá pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março, no âmbito de investigação sobre suspeitas de fraude em licitação na área da saúde. Furlan renunciou ao cargo no dia seguinte. A medida ocorreu durante investigação e não representa condenação.
Clécio encerrou pedindo apoio para um novo mandato. Furlan, ausente, não respondeu durante o debate às acusações e aos questionamentos dirigidos a ele.
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